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Neurologista comportamental estadunidense Dr. Bruce Miller, especialista em demência e doenças neurodegenerativas, para a demência frontotemporal (DFT). Lisa Roos/InsCer “Talvez a doença mais difícil que conhecemos na neurologia.” Essa é a definição do renomado neurologista comportamental estadunidense Dr. Bruce Miller, autoridade em demência e doenças neurodegenerativas, para a demência frontotemporal (DFT). 🔎 A demência frontotemporal (DFT) é uma condição neurodegenerativa que afeta os lobos frontais e temporais do cérebro, áreas responsáveis pelo comportamento, personalidade e linguagem, e ocasiona a perda progressiva das funções cerebrais. Como as outras demências, a DFT não possui cura. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Segundo ele, as mudanças comportamentais causadas pela doença tornam o tratamento mais difícil, enquanto o paciente fica menos suscetível à aceitação social. “A personalidade do ser humano muda. Alguém que é amoroso e empático torna-se cruel. Alguém que era muito socialmente adequado e correto torna-se vulgar e grosseiro. Ver isso acontecer com alguém que você ama, que parece não te amar mais, é profundamente difícil”, afirma Miller. O especialista esteve em Porto Alegre a convite do Instituto do Cérebro (InsCer) para participar da Brain Week, que ocorre até domingo (7) na capital gaúcha. Veja reportagem abaixo sobre o evento. Ele relata que a DFT pode causar problemas para além da própria doença. Como a condição causa alterações em comportamento, personalidade e linguagem, os pacientes podem conviver com problemas de ordem social. “Às vezes, acabam na prisão, porque cometem comportamentos antissociais. Às vezes, são tratadas cruelmente por outros porque sua personalidade mudou. Às vezes, o comportamento delas pode levá-las a serem agredidas. Elas sofrem enormemente.” Brain Week faz abordagem multidisciplinar dos casos de feminicídio DFT também causa sofrimento para cuidadores e familiares A DFT altera ainda a noção de sofrimento dos pacientes, conta o Dr. Bruce Miller. “Uma das coisas que aprendi sobre a demência frontotemporal é que ela ataca a parte do cérebro que permite a um ser humano sofrer, então acho que muitas vezes o paciente com DFT está menos ciente de seu problema. O sofrimento fica com os cuidadores, que sofrem enormemente.” Segundo o neurologista, os efeitos colaterais causados para familiares e cuidadores são ainda maiores do que os causados por outras doenças similares. “Aprendemos que os cuidadores sofrem o dobro de sintomas psiquiátricos do que as pessoas que têm um ente querido com a doença de Alzheimer”, diz Miller. “Eles têm maior probabilidade de morrer do que os cuidadores de pacientes com Alzheimer, maior probabilidade de sofrer de uma doença psiquiátrica grave, ou uma doença física grave. A falta de conexão social que acontece com a DFT é devastadora”, conclui. DFT Arte/g1/Fernanda Garrafiel Doença ficou conhecida após diagnóstico do ator Bruce Willis O ator Bruce Willis foi diagnosticado com demência frontotemporal (DFT). A doença foi confirmada pela família em um comunicado publicado nas redes sociais em 2023. Bruce já tinha se aposentado, em 2022, por causa da afasia: um distúrbio de linguagem que afeta a capacidade de comunicação. No entanto, isso era apenas um sintoma da demência frontotemporal. VÍDEOS: Tudo sobre o RS