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SSP/SE
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El Niño: sinais de formação de um novo episódio estão cada vez mais intensos, diz Inmet
Imagens do satélite mostram variações no nível do mar em junho de 2026; áreas em vermelho indicando águas mais elevadas no Pacífico equatorial, sinal tí...
10/06/2026 11:37
El Niño: sinais de formação de um novo episódio estão cada vez mais intensos, diz Inmet (Foto: Reprodução)
Imagens do satélite mostram variações no nível do mar em junho de 2026; áreas em vermelho indicando águas mais elevadas no Pacífico equatorial, sinal típico associado ao desenvolvimento do El Niño.
Sentinel-6 Michael Freilich/NASA/NOAA
Os sinais de formação de um novo episódio de El Niño no Oceano Pacífico estão se fortalecendo, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Em comunicado divulgado nesta semana, o órgão informou que a anomalia da temperatura da superfície do mar na região conhecida como Niño 3.4 — a principal área de monitoramento do fenômeno, no Pacífico Equatorial central — passou de valores próximos da neutralidade para 0,49 °C acima da média em maio e atingiu 0,7 °C na primeira semana de junho.
"Isso aponta para condições altamente favoráveis à formação e consolidação de um episódio de El Niño nos próximos meses", afirmou o Inmet.
O instituto informou que divulgará até o fim desta semana uma nova nota técnica com as informações mais atualizadas sobre a previsão do fenômeno.
🌊 ENTENDA: O El Niño e a La Niña são as duas fases do mesmo fenômeno climático, chamado ENOS (El Niño-Oscilação Sul).
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento maior ou igual a 0,5°C das águas do Oceano Pacífico equatorial.
O fenômeno ocorre com frequência a cada dois a sete anos, tem duração média de doze meses e gera impacto direto no aumento da temperatura global.
A La Niña é o oposto: um resfriamento dessas mesmas águas, com efeitos igualmente significativos, mas em direção contrária.
Projeção da agência dos EUA mostra que a chance de El Niño cresce ao longo de 2026; intensidade segue indefinida.
NOAA
O diagnóstico do órgão brasileiro está alinhado ao da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês), referência mundial no monitoramento do clima.
Em uma atualização divulgada na segunda-feira (8), o Centro de Previsão Climática (CPC) da agência estima ainda em 82% a probabilidade de o El Niño se estabelecer já no trimestre maio-julho de 2026 — e em 96% a chance de que o fenômeno persista até o trimestre dezembro-fevereiro, que corresponde ao verão no Hemisfério Sul.
Os dados semanais mais recentes da NOAA mostram aquecimento em todas as regiões de monitoramento do Pacífico Equatorial.
Além dos 0,7 °C acima da média na região Niño 3.4, a anomalia chega a 1 °C na região Niño 3 e a 2,1 °C na região Niño 1+2, mais próxima da costa da América do Sul.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Desde 2006, uma sequência de episódios de El Niño vem mudando cada vez mais o clima do planeta, que já está mais quente que no passado.
Mesmo quando são considerados fracos ou moderados, esses eventos acontecem em um mundo aquecido e acabam aumentando o risco de extremos, como secas, enchentes e ondas de calor. Veja:
2006–2007: El Niño fraco a moderado.
2009–2010: El Niño moderado.
2014–2016: El Niño muito forte, ligado a recordes de calor e extremos mais frequentes.
2018–2019: El Niño fraco a moderado, mais curto e com impactos mais limitados.
2023–2024: El Niño forte, um dos mais intensos já registrados, associado a novos recordes de calor.
🌎 O que é o El Niño — e por que ele importa tanto
O El Niño é um aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico na faixa próxima à linha do Equador.
Ele faz parte de um ciclo natural do clima que alterna fases quentes (El Niño), frias (La Niña) e neutras — com impactos em várias regiões do planeta.
Esse aquecimento muda a circulação da atmosfera e altera o padrão de chuvas e temperaturas em diferentes partes do mundo.
No Brasil, os efeitos costumam ser desiguais: o Sul tende a ter mais chuva, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos.
O fenômeno também influencia a temperatura global. Em anos de El Niño mais intenso, o planeta costuma registrar calor acima da média, somando-se ao aquecimento global.
A intensidade varia de um evento para outro, assim como os impactos. E, com o planeta já mais quente, mesmo episódios moderados podem ter efeitos mais fortes do que no passado.
Pela 1ª vez, mundo registra um dia com temperatura média global 2°C acima da era pré-industrial
Condições geradas por El Niño podem facilitar as queimadas e impactar produções agrícolas.
Michael Dantas/AFP via DW
🌧️ Possíveis impactos no Brasil
Historicamente, o El Niño altera o padrão de chuva e temperatura no país e causa:
aumento de chuva no Sul, com risco maior de eventos extremos;
redução de chuvas no Norte e em partes do Nordeste;
mais irregularidade nas precipitações no Sudeste e Centro-Oeste;
maior frequência de ondas de calor.
Segundo especialistas, um dos principais efeitos esperados é o aumento de períodos prolongados de calor, especialmente na primavera e no verão.
Mesmo com a alternância entre La Niña, neutralidade e El Niño, os cientistas destacam que o aquecimento global continua sendo o principal fator por trás das mudanças no clima.
Com os oceanos já mais quentes do que a média histórica, a expectativa é de que os próximos meses sigam registrando temperaturas elevadas em várias regiões do planeta.
El Niño e La Niña
Arte g1/Luisa Rivas
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