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Escadaria com bandeira do Brasil viraliza, atrai turistas e artistas e muda rotina de moradores de vila no Centro do Rio
Escadaria da Copa viraliza nas redes e muda rotina de moradores no Centro do Rio
A escadaria verde, amarela e azul da Rua Eduardo Jansen, próximo à Praça Mau...
10/06/2026 05:04
Escadaria com bandeira do Brasil viraliza, atrai turistas e artistas e muda rotina de moradores de vila no Centro do Rio (Foto: Reprodução)
Escadaria da Copa viraliza nas redes e muda rotina de moradores no Centro do Rio
A escadaria verde, amarela e azul da Rua Eduardo Jansen, próximo à Praça Mauá, no Centro do Rio de Janeiro, já faz parte da paisagem da região há 8 Copas do Mundo. Conhecida por moradores, turistas e por quem percorre roteiros históricos da Zona Portuária, ela ganhou uma nova dimensão recentemente após se tornar um hit nas redes sociais.
O charme da pintura na ruela tem sido explorado nas últimas semanas por artistas como Xande de Pilares e Ludmilla, além de inúmeros influencers. O aumento repentino da visibilidade transformou a vila residencial em destino para visitantes de diferentes bairros e cidades. Segundo moradores, nos fins de semana algumas pessoas chegam a esperar 2 horas para conseguir uma foto no local.
A repercussão trouxe orgulho para quem mantém a tradição desde 1998, mas também alterou a rotina de quem reside no local. Para lidar com o novo fluxo de visitantes, os moradores estabeleceram normas de convivência e formas de organizar o espaço sem interromper a visitação.
Escadaria da Rua Eduardo Jansen virou atração após viralizar nas redes sociais
Jéssica Evelin Araújo /g1
Embora os moradores afirmem gostar de ver a escadaria reconhecida e admirada, eles dizem que a popularidade repentina trouxe desafios para uma rua essencialmente residencial.
Segundo a comunidade, antes da viralização, era comum que os moradores passassem parte do dia sentados nas portas das casas, conversando nas janelas ou acompanhando as crianças brincando na rua.
Movimento intenso de visitantes na Rua Eduardo Jansen durante o fim de semana
Reprodução
Com o aumento do fluxo de visitantes, essa dinâmica mudou.
“Não é ruim que as pessoas conheçam a rua e admirem o lugar. O problema é quando falta consideração com quem mora aqui. Aqui vivem idosos, crianças e famílias inteiras”, relatou uma moradora.
Os moradores afirmam que têm buscado formas de equilibrar a presença dos turistas com a preservação da rotina da comunidade.
Guia reúne orientações para visitantes
Guia orienta visitantes e conta a história da escadaria
Jéssica Evelin Araújo /g1
Na entrada da vila, um guia reúne informações sobre a história da escadaria e recomendações para quem visita o local.
Entre as orientações estão pedidos para falar baixo, não jogar lixo no chão, não filmar moradores sem autorização e não trocar de roupa dentro da vila.
Segundo os moradores, as recomendações surgiram após situações registradas desde que a escadaria ganhou destaque.
Uma orientação que chama a atenção é a que pede para que visitantes não troquem de roupa no local. De acordo com a comunidade, alguns turistas passaram a utilizar a rua de “provador” antes das sessões de fotos, o que gerou desconforto entre os moradores.
Também houve relatos de pessoas fotografando o interior das residências sem autorização.
A artesã Leda Teodoro, que vive há anos na Rua Eduardo Jansen e vende peças de crochê na janela de casa, afirma que já passou por esse tipo de situação. Segundo ela, uma turista chegou a fotografar o interior de sua residência sem autorização.
Peças de crochê produzidas por Leda Teodoro ficam expostas na janela de sua casa
Jéssica Evelin Araújo /g1
“A mulher estava aqui dentro, até focou na minha cozinha. Não foi nem do crochê. A mulher estava aqui dentro, tirando foto. Aí eu falei que a gente tem que arrumar um jeito desse lugar aqui não ficar tão cheio… Porque se não, eu tenho que ficar com a minha casa toda fechada”, contou.
Segundo os moradores, o objetivo das orientações não é restringir a visitação, mas garantir que a convivência entre turistas e moradores aconteça da melhor maneira possível.
Tradição começou em 1998
Márcia Regina durante a pintura da escadaria da Rua Eduardo Jansen, tradição que ajuda a manter viva há 28 anos
Divulgação
A história da escadaria começou durante a Copa do Mundo de 1998, quando a artista e moradora Márcia Regina criou a 1ª pintura inspirada nas cores da bandeira brasileira. A decoração chamou a atenção dos moradores da vila e acabou se transformando em uma tradição da Rua Eduardo Jansen.
Desde então, Márcia é responsável pelos desenhos que dão identidade à escadaria. Há 28 anos, ela lidera a renovação da decoração a cada Copa do Mundo, promovendo alterações nos desenhos e criando novos elementos para a escadaria.
As tintas utilizadas são custeadas pelos próprios moradores, e a escadaria costuma ser repintada a cada 4 anos. Segundo a comunidade, esta é a 1ª vez, em quase 30 anos de tradição, que o local registra uma movimentação tão intensa de visitantes.
Antes da viralização, a rua já recebia turistas, mas em um fluxo mais organizado. Segundo os moradores, era comum a presença de grupos acompanhados por guias turísticos que incluíam a escadaria nos roteiros da Pequena África e de outros pontos históricos da Zona Portuária.
Limpeza e conservação ficam por conta dos moradores
Além da decoração, a conservação da rua também é realizada pela própria comunidade.
Segundo os moradores, a limpeza da vila é feita pelos residentes, que também cuidam da manutenção das pinturas e dos espaços comuns. Eles afirmam que equipes da Comlurb não costumam realizar serviços de limpeza no interior da vila.
Mesmo com o aumento do número de visitantes, os moradores seguem responsáveis pela preservação do espaço que ajudaram a construir ao longo das últimas décadas.
Turistas chegam de diferentes cidades
Maysa e Ângela Marques vieram de São Paulo e incluíram a escadaria no roteiro da viagem ao Rio
Jéssica Evelin Araújo /g1
Mãe e filha, Maysa Marques e Ângela Marques, moradoras de Diadema, no ABC Paulista, incluíram o local no roteiro de uma viagem ao Rio após conhecerem a escadaria pelas redes sociais. As duas estão há uma semana na cidade e disseram que a visita à Rua Eduardo Jansen já fazia parte do planejamento da viagem.
“ Quando estávamos programando a viagem, já tínhamos visto fotos na internet e no Instagram. Depois vimos também o perfil da própria escadaria e fomos colocando o local no nosso roteiro. Achei muito legal ver a participação dos moradores em tudo isso”, contou Maysa.
A movimentação também tem gerado reflexos positivos para alguns moradores da vila.
Além de acompanhar a mudança na rotina da rua, Leda passou a receber mais visitantes interessados nas peças de crochê que expõe na janela de casa. Produzidos artesanalmente por ela, os trabalhos incluem roupas, acessórios, peças feitas à mão, com preços que variam de acordo com cada produto.
Com o aumento do fluxo de turistas, mais pessoas passaram a parar para observar os trabalhos expostos e conversar sobre o processo de produção das peças.
Recentemente, a vitrine ganhou um cliente ilustre. Durante a gravação do clipe da música “Vento”, lançado nesta semana, o cantor Xande de Pilares esteve na escadaria e, segundo Leda, comprou todas as peças de crochê que estavam disponíveis para venda.
A cantora Ludmilla também visitou a escadaria e tirou fotos.
Márcia Regina, responsável pelas pinturas da escadaria, ao lado do cantor Xande de Pilares durante gravação de clipe no local
Reprodução: Redes sociais/ @escadabandeiradobrasiloficial
Moradores desmentem cobrança para fotos
Com o aumento da popularidade da escadaria, também começaram a circular informações falsas sobre o local. Uma delas é a de que haveria cobrança para fotografar na vila.
A informação foi desmentida pelos moradores em uma página criada para divulgar a história da escadaria e esclarecer dúvidas dos visitantes. Segundo a comunidade, nunca houve qualquer tipo de cobrança para tirar fotos no espaço.
Enquanto administram a fama repentina da escadaria, os moradores também se preparam para os jogos da Seleção Brasileira.
A expectativa é reunir vizinhos para assistir às partidas do lado de fora das casas, mantendo uma tradição comunitária que existe há décadas na rua.
“Queremos fazer um churrasco e assistir ao jogo aqui fora. Estamos nos programando para isso”, contou um morador.
Apesar do movimento intenso registrado nas últimas semanas, a expectativa da comunidade é que, após o fim da Copa do Mundo, a Rua Eduardo Jansen volte ao ritmo de antes.
Ludmilla na escadaria na Zona Portuária do Rio que viralizou
Reprodução/Instagram