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Fundos falsos e pneus: saiba como família investigada por tráfico transportava cocaína entre estados brasileiros

Pai e filhas são investigados por tráfico internacional e lavagem de dinheiro A organização criminosa liderada por Mario Sergio Nunes, conhecido como "Serj...

Fundos falsos e pneus: saiba como família investigada por tráfico transportava cocaína entre estados brasileiros
Fundos falsos e pneus: saiba como família investigada por tráfico transportava cocaína entre estados brasileiros (Foto: Reprodução)

Pai e filhas são investigados por tráfico internacional e lavagem de dinheiro A organização criminosa liderada por Mario Sergio Nunes, conhecido como "Serjão do PCC", utilizava compartimentos secretos em caminhões e carretas para transportar grandes carregamentos de cocaína entre estados brasileiros. Segundo as investigações, o esquema tinha como objetivo dificultar a fiscalização e evitar a apreensão da droga. Segundo a Polícia Federal (PF), que investiga o grupo na operação 'Mens Occulta', um dos esconderijos mais usados pelos criminosos ficava na boleia dos caminhões. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp Em diferentes apreensões, os agentes encontraram cocaína escondida em fundos falsos instalados atrás do assento do motorista. Os compartimentos eram adaptados para ocultar grandes quantidades da droga. A repetição da estratégia chamou a atenção dos investigadores. Em outra apreensão, em Campo Grande (MS), cerca de 423 quilos de cocaína foram encontrados em um fundo falso instalado atrás do banco do motorista. Filha foragida de família investigada por tráfico se entrega Entenda como família investigada por tráfico mantinha estrutura empresarial para transportar cocaína entre estados brasileiros Para a PF, o uso do mesmo tipo de esconderijo em diferentes carregamentos indica um padrão operacional adotado pela organização criminosa. Os pneus dos veículos também eram usados para esconder a droga. Em março de 2024, um motorista foi preso em Jaraguari (MS) ao transportar cerca de 125 quilos de cocaína escondidos nos pneus de um caminhão. Posteriormente, a investigação relacionou o caso ao grupo investigado. Pouco tempo depois, em Água Clara (MS), outro carregamento, com 126,2 quilos de pasta base de cocaína, foi encontrado nos pneus sobressalentes de um caminhão conduzido por um morador de Uberlândia. Segundo as investigações, o veículo fazia parte da estrutura logística usada pela organização criminosa. Apreensão de cocaína em Campo Grande e relacionada ao esquema da família PRF/Divulgação As investigações também apontaram apreensões em que a droga estava escondida em compartimentos preparados no interior das cabines dos caminhões. Em Uberaba, por exemplo, 144 tabletes de cocaína foram encontrados ocultos na cabine de um conjunto veicular utilizado para o transporte da carga ilícita. Para a PF, o uso de fundos falsos, compartimentos clandestinos e pneus adaptados demonstra o grau de organização logística do grupo. A corporação afirma que a estrutura permitia transportar grandes quantidades de cocaína por rodovias de diversos estados, utilizando caminhões, carretas e motoristas recrutados para as operações. De acordo com a investigação, nove apreensões ligadas ao grupo resultaram na retirada de mais de 2,2 toneladas de cocaína de circulação em cerca de um ano. Alguns dos veículos usados por uma das empresas de fachada da família PF/Divulgação Empresa do tráfico A investigação da Polícia Federal (PF) revelou que a organização criminosa liderada por "Serjão do PCC" mantinha uma estrutura semelhante à de uma empresa para transportar cocaína e movimentar dinheiro do tráfico. Segundo a PF, o grupo utilizava caminhões, carretas, transportadoras, motoristas recrutados, contas bancárias de terceiros e empresas de fachada para sustentar a operação criminosa. O grupo usava laranjas para ocultar patrimônio e escondia drogas em compartimentos falsos instalados em caminhões. A organização também mantinha uma rota de transporte que ligava Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia a Minas Gerais. A PF também identificou a participação de familiares e aliados na movimentação financeira do esquema. Segundo as investigações, Uberlândia era o principal centro de recebimento, armazenamento e distribuição de drogas da organização criminosa. Quem é quem no esquema Da esquerda para direita: Mario Sergio Nunes, Maria Lourdetis Ferreira Silva Nunes, Brenda da Silva Nunes, Bruna Nunes e Rhanniery Nunes Graciano Reprodução/Redes Sociais Segundo a Polícia Federal (PF), o grupo investigado por tráfico internacional de cocaína e lavagem de dinheiro movimentou cerca de R$ 70 milhões sem origem financeira compatível nos últimos cinco anos. Durante a operação, os agentes apreenderam bens de alto valor, entre eles veículos importados, embarcações, motos aquáticas, propriedades rurais, um motorhome avaliado em R$ 1,2 milhão e um cavalo de competição estimado entre R$ 50 mil e R$ 100 mil. A PF também localizou um segundo flutuante motorizado atribuído à família Nunes. Para os investigadores, os suspeitos mantinham um padrão de vida incompatível com a renda declarada. De acordo com a investigação, Mario Sergio Nunes, conhecido como "Serjão do PCC", liderava a organização criminosa e era responsável por coordenar a logística e as finanças do tráfico. A esposa dele, Maria Lourdetis Ferreira Silva Nunes, e as filhas, Bruna e Brenda Silva Nunes, são apontadas pela PF como participantes da movimentação de recursos e da ocultação de patrimônio. Mario Sergio e Brenda foram presos em um hotel de Uberaba na terça-feira (2). Bruna se entregou à PF na quinta-feira (4). Apesar de ser investigada, Maria Lourdetis não foi alvo de mandado de prisão. Já o ex-genro Rhanniery Nunes Graciano é apontado pela PF como um dos laranjas usados para ocultar bens ligados ao esquema criminoso. Em nota, o advogado da família Nunes, José Carlos de Oliveira Campos, afirmou que ainda não teve acesso completo ao processo, que corre sob sigilo. Ele disse ainda que a família confia nas instituições e está à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários. Veja a íntegra abaixo. Em nota, o advogado de Rhanniery, Sérgio Luiz da Silva, afirmou que acompanha todos os desdobramentos do caso, mas que não fará comentários sobre aspectos específicos neste momento. Entendo como funcionava o esquema da família investigada por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em Uberlândia g1 LEIA TAMBÉM: PF apreende cavalo e flutuante ligados à família investigada por tráfico Homem é preso ao ser identificado em reconhecimento facial na Fenamilho Pâmela Volp é absolvida de acusação de venda de maconha por R$ 500 em presídio Suspeita de lavagem de dinheiro A Polícia Federal suspeita que os recursos obtidos com o tráfico eram ocultados por meio de empresas de fachada e da aquisição de bens de alto valor. "Eles não tinham renda fixa declarada, então foram vários veículos de luxo, alguns já estavam colocados à venda. Eles já estavam tentando desfazer dos bens, provavelmente pelas recentes apreensões que ocorreram no mês passado e no mês retrasado, e são veículos de alto valor, alto padrão", concluiu Garcia. Família de Uberlândia adquiria ranchos com dinheiro do tráfico internacional, segundo a PF PF/Divulgação O que disse a defesa da família Nunes "A defesa informa que a investigada integrante da Família Nunes apresentou-se espontaneamente perante a Polícia Federal, demonstrando respeito às autoridades e ao regular andamento da investigação. Entretanto, causa profunda preocupação o fato de que, até o presente momento, os advogados seguem sem acesso aos autos, mesmo havendo pessoas privadas de liberdade, e todas ainda aguardando a realização da audiência de custódia. A defesa ressalta que o sigilo da investigação não pode impedir o exercício das prerrogativas profissionais da advocacia, tampouco restringir garantias fundamentais asseguradas pela Constituição Federal, como o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e o controle judicial imediato da prisão. A Família Nunes reafirma sua confiança na Justiça, mas registra sua preocupação com o respeito às liberdades e garantias individuais, permanecendo à disposição das autoridades para todos os esclarecimentos necessários. Por se tratar de procedimento sigiloso, a defesa não se manifestará sobre o mérito dos fatos neste momento." O que disse a defesa de Rhanniery "A defesa de Rhanniery Nunes Graciano recebeu com serenidade as informações relacionadas à denominada Operação Mens Occulta e acompanha atentamente todos os desdobramentos do caso. Neste momento, é importante destacar que toda pessoa submetida à investigação ou processo judicial goza da garantia constitucional da presunção de inocência, princípio fundamental do Estado Democrático de Direito. A defesa reafirma a absoluta confiança nas instituições, no trabalho das autoridades competentes e no sistema de justiça brasileiro, certos de que os fatos serão devidamente esclarecidos no curso regular do procedimento, com pleno respeito ao contraditório e à ampla defesa. Em respeito às investigações em andamento, não serão realizados comentários sobre aspectos específicos do caso neste momento. Temos convicção de que, ao final da apuração, a verdade dos fatos prevalecerá e todas as circunstâncias serão adequadamente esclarecidas perante as autoridades competentes." Apreensões durante a operação Mens Occulta da PF Uberlândia VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas