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Iranianos contrários ao regime fazem protesto do lado de fora do estádio em Los Angeles antes de estreia de seleção do Irã

Bandeiras da monarquia iraniana são colocadas em frente ao estádio de Los Angeles pouco antes da estreia da seleção do Irã na Copa do Mundo de 2026, em 15 ...

Iranianos contrários ao regime fazem protesto do lado de fora do estádio em Los Angeles antes de estreia de seleção do Irã
Iranianos contrários ao regime fazem protesto do lado de fora do estádio em Los Angeles antes de estreia de seleção do Irã (Foto: Reprodução)

Bandeiras da monarquia iraniana são colocadas em frente ao estádio de Los Angeles pouco antes da estreia da seleção do Irã na Copa do Mundo de 2026, em 15 de junho Jae C. Hong/AP Membros da comunidade iraniano-americana realizam um protesto nesta segunda-feira (15) em frente ao estádio onde a seleção do Irã faz sua estreia na Copa do Mundo. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp O protesto foi organizado em frente ao estádio perto de Los Angeles, lar da maior comunidade iraniana fora do Irã. Muitos dos iranianos-americanos do sul da Califórnia chegaram à região após a Revolução Islâmica de 1979, e um centro de restaurantes, lojas e mercados a cerca de 16 km do estádio é conhecido como "Tehrangeles". Envoltos em bandeiras vermelhas e verdes com o leão e o sol dourados, os manifestantes se reuniram em frente ao estádio onde o Irã enfrentará a Nova Zelândia. Poucas horas antes do início da partida, um juiz de Los Angeles confirmou a proibição da Fifa ao uso da bandeira pré-revolucionária nos jogos, segundo o jornal "The Athletic". Ella Bah, de 42 anos, mesmo assim, usava a bandeira amarrada ao corpo como um vestido antes da partida. Ela e outros manifestantes levaram roupas extras para cobri-la antes de entrar no estádio e planejavam se revelar após a entrada, disse ela. Em meio a anúncio de acordo de paz, Irã chega aos EUA sob forte esquema de segurança “Não estamos aqui para torcer por eles”, disse ela à Associated Press. “Estamos aqui para ser a voz do povo dentro do Irã.” Quando o futebol e a geopolítica se encontram Assim como Bah, alguns manifestantes disseram que tinham ingressos para assistir ao jogo, enquanto outros, não. Rameileh Jaffrey, de 46 anos, de Los Angeles, disse que quer uma mudança no governo de Teerã para trazer liberdade às pessoas que vivem no país que ela deixou há doze anos. “Eles não são meu time. São um time do governo”, disse ela. Mesmo assim, ela disse que espera que o Irã vença e planeja ver a equipe jogar mais tarde no torneio. A participação do Irã no torneio tem sido marcada por conflitos devido à guerra do país com as forças americanas e israelenses. No final do domingo (14), o presidente Donald Trump anunciou que os EUA haviam chegado a um acordo com o Irã para encerrar a guerra e abrir o Estreito de Ormuz. A guerra iniciada pelos EUA e Israel em 28 de fevereiro abalou a região e praticamente paralisou o fornecimento de petróleo e gás natural do Golfo Pérsico. Após o início da guerra, a equipe transferiu sua base de treinamento de Tucson, Arizona, para o México, e alguns dirigentes do futebol iraniano não receberam vistos para entrar nos Estados Unidos. Muitos na diáspora têm sentimentos contraditórios sobre como demonstrar seu apoio ao povo iraniano, e não ao governo, por meio de sua paixão pelo futebol. “Jogamos por todos os iranianos, estejam eles na diáspora ou no Irã. As pessoas têm opiniões diferentes, mas estamos aqui para unir as pessoas e tentaremos levar alegria a todos os iranianos, onde quer que vivam”, disse o capitão da equipe, Mehdi Taremi, em uma coletiva de imprensa no domingo. “Estamos aqui para levar alegria ao povo iraniano. Não nos envolvemos em política. Estamos aqui para jogar futebol.” Opiniões divididas Reza Garajedaghi, de 57 anos, disse que assistirá ao jogo com seu pai de 96 anos em San Diego. Ele disse que não comprou ingressos para a partida, em parte devido aos preços exorbitantes. Mas ele apoia o time, deixando a política de lado, ao mesmo tempo que respeita a ampla gama de opiniões na diáspora. “Sou um fanático por futebol, e os meninos representam todos os persas, iranianos ao redor do mundo”, disse Garajedaghi, que deixou o Irã aos 10 anos. “Para mim, isso não tem nada a ver com o governo que eles têm no Irã.” Jogadores da seleção de futebol do Irã utilizam broche '#168', em referência a vítimas de ataque dos EUA a escola em Minab, durante desembarque em Tijuana, no México, para a Copa do Mundo em 7 de junho de 2026. Divulgação/Seleção iraniana Festas para assistir ao jogo estão sendo planejadas para torcer pelo time, e quando o Irã foi designado para jogar em Los Angeles no ano passado, muitos compraram ingressos. Mas, nos últimos meses, alguns disseram que venderam seus ingressos em protesto após a brutal repressão de janeiro. Alguns torcedores iranianos-americanos de futebol também disseram que o time está envolvido com política. No passado, atletas iranianos enfrentaram sérias consequências por se manifestarem. Em 2022, um ex-jogador importante da seleção nacional foi preso por supostamente protestar contra a liderança do país, e o atacante Sardar Azmoun não foi convocado para a Copa do Mundo deste ano, supostamente por causa de uma publicação nas redes sociais que irritou as autoridades. O técnico do Irã, Amir Ghalenoei, chamou Azmoun de "excelente jogador" e disse que gostaria de tê-lo na equipe. "Estou feliz que eles venham nos assistir e espero que orem por nós e nos incentivem", disse Ghalenoei no domingo, quando questionado sobre a grande diáspora iraniana. Ele acrescentou que esperava que a equipe retribuísse essa lealdade com uma boa partida. A questão da bandeira Alguns iranianos-americanos também estão descontentes com a regra da FIFA que proíbe o hasteamento de bandeiras políticas. Eles querem hastear a bandeira do leão e do sol, usada antes da revolução, que não é a bandeira oficial do Irã. O Instituto Iraniano-Americano para Vozes da Liberdade entrou com uma ação judicial na semana passada para contestar a regra da FIFA sobre a bandeira, mas um juiz do Tribunal Superior de Los Angeles decidiu na segunda-feira que a proibição poderia ser mantida. "Pode haver prejuízo para cerca de 2.500 funcionários que precisam lidar com os protocolos de segurança", disse o juiz Curtis Kin, segundo o The Athletic. "É um fardo enorme mudar um protocolo de longa data para um evento de grande porte em questão de horas. É difícil." “Para ver como a Fifa poderia fazer uma mudança em um estádio e não nos outros.” Parsa Ezati, de 21 anos, e sua mãe levaram a bandeira oficial do governo iraniano para o protesto para que as pessoas pudessem pisoteá-la. Muitos transeuntes aproveitaram a oportunidade para passar por cima dela, alguns arranhando-a ainda mais ou cuspindo nela por um minuto. “Ela representa os aiatolás que mataram tantos iranianos e massacraram pessoas da minha geração”, disse Ezati. “A FIFA só aceita essa bandeira no chão.”