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Comunidades indígenas Agência Brasil O Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação na Justiça Federal para cobrar a contratação de três psicólogos para o Distrito Sanitário Especial Indígena de Parintins (Dsei-PIN). A estrutura atende comunidades indígenas no leste do Amazonas. A ação foi apresentada contra a União e a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS). Segundo o MPF, a quantidade atual de profissionais não é suficiente para atender a demanda de saúde mental nas aldeias, principalmente diante de casos relacionados ao uso abusivo de álcool e outras drogas. De acordo com os dados apresentados pelo órgão, o Dsei Parintins conta atualmente com cinco psicólogos para atender mais de 18 mil indígenas, distribuídos em 144 aldeias e 12 polos-base. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Um dos profissionais atua na sede administrativa. Os outros quatro fazem atendimentos nas comunidades, que ficam espalhadas pelos municípios de Parintins, Barreirinha, Maués, Nhamundá e Boa Vista do Ramos. Amazonas lidera número de suicídios entre indígenas, aponta relatório A área atendida pelo distrito tem mais de 50 mil quilômetros quadrados, o que exige um sistema de revezamento das equipes. De acordo com a ação, essa logística faz com que algumas comunidades passem meses sem acompanhamento psicológico. O MPF afirma ainda que a contratação de novos profissionais já estava prevista no Plano Distrital de Saúde Indígena. Caso envolvendo adolescente é citado na ação Na ação, o MPF cita um episódio ocorrido em outubro de 2025, quando um adolescente cometeu um duplo homicídio contra familiares durante um surto psicótico associado ao uso de substâncias. Segundo o órgão, após o caso, a comunidade ficou sem acompanhamento psicológico adequado, o que teria contribuído para um trauma coletivo e levado moradores a deixarem a aldeia. A situação relacionada ao uso abusivo de substâncias entre indígenas da região é acompanhada pelo MPF desde 2015, por meio de um inquérito civil. O órgão aponta que o problema aumentou com a aproximação de jovens e lideranças indígenas com centros urbanos. Amazonas é o segundo estado com maior registro de suicídio indígena do país nos últimos dez anos, diz estudo Pedidos feitos à Justiça Na ação, o MPF pede que sejam contratados três psicólogos temporários para reforçar o atendimento do Dsei-PIN. O órgão também solicita a realização de um levantamento sobre a saúde mental na Terra Indígena Andirá-Marau, no prazo de 60 dias, além do pagamento de R$ 300 mil em indenização por danos morais coletivos ao povo Sateré-Mawé. O pedido inclui ainda multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento das medidas. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) também foram indicadas para acompanhar o processo.