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Seis profissionais de saúde são indiciados por caso de negligência que provocou morte de bebê e mãe no ISEA

Parto aconteceu na maternidade do Isea, em Campina Grande Reprodução/TV Cabo Branco Seis profissionais de saúde foram indiciados pelo caso de negligência m...

Seis profissionais de saúde são indiciados por caso de negligência que provocou morte de bebê e mãe no ISEA
Seis profissionais de saúde são indiciados por caso de negligência que provocou morte de bebê e mãe no ISEA (Foto: Reprodução)

Parto aconteceu na maternidade do Isea, em Campina Grande Reprodução/TV Cabo Branco Seis profissionais de saúde foram indiciados pelo caso de negligência médica que resultou na morte de um bebê e posteriormente da mãe, no Instituto de Saúde Ellpídio Almeida (ISEA), em Campina Grande. A conclusão da investigação foi divulgada nesta terça-feira (10). O caso aconteceu em março de 2025 e, segundo o inquérito, os investigados podem ter contribuído para o desfecho por meio de falhas no atendimento prestado à paciente. A investigação foi concluída mais de um ano após o caso da morte do bebê ter siido denunciada. Pouco depois da denúncia, a mãe do bebê, Maria Danielle Cristina Morais, que também teve o útero retirado no parto, morreu. Jorge Elô é marido dulher que morreu após perder filho e útero em maternidade de Campina Grande Reprodução/TV Paraíba LEIA TAMBÈM: Morte de bebê e mãe em caso denunciado como negligência completa um ano Secretaria de Saúde determina afastamento de equipe após bebê morrer durante o parto e mãe perder útero em Campina Grande Os profisionais indiciados pela Polícia Civil são quatro médicos obstetras e duas enfermeiras. De acordo com a polícia, os profissionais foram indiciados pelo crime de aborto provocado por terceiro na forma majorada, previsto nos artigos 125 e 127 do Código Penal. Os nomes dos investigados não foram divulgados. O g1 procurou a Secretaria Municipal de Saúde de Campina Grande para ter uma posição sobre o caso, mas não recebeu resposta até a última atualização desta notícia. A investigação apontou que a gestante, que apresentava uma gravidez de alto risco, teria sido submetida a uma condução inadequada do parto. Entre as irregularidades apontadas estão demora na adoção de medidas médicas consideradas necessárias, ausência de progressão assistida do parto e utilização inadequada de procedimentos durante o atendimento. Um ano da tragédia envolvendo mãe e bebê no ISEA Os investigadores também identificaram indícios de violência verbal e psicológica contra a paciente durante a internação. A conclusão do inquérito foi baseada em depoimentos de testemunhas, familiares e profissionais envolvidos, além da análise de prontuários médicos, documentos de pré-natal e diversos exames periciais. Segundo os laudos, o bebê morreu ainda no útero em decorrência de uma rotura uterina associada à condução do parto. As perícias indicaram que uma intervenção cirúrgica realizada em momento oportuno poderia ter evitado o óbito fetal. Já a mãe, a assistente social Maria Danielle Cristina Morais, morreu 25 dias após os fatos. Conforme a investigação, a causa da morte esteve relacionada a complicações decorrentes de uma condição genética preexistente, agravada pelos eventos registrados durante o atendimento. A Polícia Civil informou que não encontrou indícios de crime na atuação dos profissionais responsáveis pela cirurgia de emergência realizada posteriormente. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público da Paraíba e ao Poder Judiciário, que irão avaliar as conclusões da investigação e decidir sobre os próximos desdobramentos do caso. A autoridade policial também solicitou que o processo seja analisado por uma das Varas do Tribunal do Júri de Campina Grande. Em nota, a Polícia Civil destacou que o ISEA possui relevância na rede pública de saúde e afirmou que as condutas investigadas são individualizadas, não refletindo o trabalho desenvolvido pela instituição. A denúncia de negligência médica O caso de suposta negligência médica foi denunciado pelo pai do bebê, Jorge Elô, através das redes sociais em março de 2025. Segundo a família, Maria Danielle deu entrada na maternidade do ISEA no dia 27 de fevereiro e, no dia seguinte, exames indicaram a possibilidade de parto vaginal. De acordo com o relato, a equipe iniciou a indução do parto com medicação. Na madrugada de 1º de março, o médico de plantão, que também acompanhava o pré-natal da gestante, substituiu o medicamento por outro intravenoso para intensificar as contrações. O pai afirma que, durante o atendimento, enfermeiras constataram que a cabeça do bebê já estava coroada e aumentaram a dosagem da medicação. O trabalho de parto teria parado de evoluir e, segundo ele, Danielle desmaiou e ficou sem pulso, sendo levada às pressas para uma cirurgia. Jorge relatou que só entrou na sala depois e viu a equipe retirando o bebê já sem vida e segurando o útero da mãe. Na época da denúncia, a Secretaria de Saúde de Campina Grande informou que abriu uma sindicância. Em março, quando o caso completou um ano, o departamento jurídico confirmou que o relatório final recomendou medidas como o afastamento da equipe envolvida. O documento também foi encaminhado à Procuradoria-Geral do Município para análise e possível abertura de processo administrativo disciplinar. A Procuradoria informou que, entre os profissionais afastados durante a sindicância, um médico não voltou a trabalhar no ISEA e uma enfermeira teve o contrato encerrado no fim de 2025. Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba