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Belo apresenta o show 'Belo in concert' na casa Vivo Rio na noite de ontem, quarta-feira, 10 de junho Rodrigo Goffredo ♫ PRIMEIRA PESSOA DO SINGULAR ♬ Enquanto artistas, jornalistas e profissionais da música brasileira se reuniam no Theatro Municipal do Rio de Janeiro na noite de ontem, 10 de junho, por conta da 33ª edição do Prêmio da Música Brasileira, eu parti para a casa Vivo Rio, situada perto do centenário teatro carioca, na mesma área central da cidade do Rio de Janeiro (RJ). O motivo da dissidência era ver um show de Belo pela primeira vez em quase 40 anos de exercício contínuo de jornalismo musical. Não, nunca tinha visto um show de Belo, embora goste do cantor paulistano e reconheça a grande influência da voz de Belo em muitos vocalistas de grupos de pagode da atualidade. Com toques de soul e R&B na voz, Belo de certa forma inaugurou na década de 1990, no posto de vocalista do grupo Soweto, uma escola de canto do samba, especificamente do pagode romântico, termo criado para classificar a música que identifica Marcelo Pires Vieira no universo pop brasileiro. Admiro também a capacidade de Belo de ter renascido artisticamente e dado a volta por cima. O cantor errou, pagou caro pelo erro, reconquistou o público e ainda abriu novas frentes de trabalho. Paralelamente à carreira de cantor, Belo se tornou ator. Acabou de fazer a primeira novela, “Três Graças”, conquistando o público, a crítica e colegas como Marcos Palmeira. Um feito e tanto, celebrado pelo artista no palco da casa Vivo Rio no meio do show “Belo in concert”. Além da voz cheia de sentimento, Belo tem carisma e sabe manter o público na mão quando está em cena Rodrigo Goffredo Alocado em mesa situada à beira do palco, testemunhei o que já imaginava. Além da voz, Belo tem estrela, charme, o tal do carisma e, ainda por cima, imprime sentimento ao canto. Por tudo isso, o astro do pagode teve o público na mão assim que apareceu no palco da casa Vivo Rio à frente de imponente cenário virtual – com 40 minutos de atraso! – e cantou “Perfume”. E tome pagode romântico! Todos cantados em coro pelo público. Admito que tenho restrições ao repertório de Belo. Acho repetitivo na forma e na temática. Mas, pelo que vi ontem, o problema é somente meu. O público de Belo ama pagodes como “Desse jeito é ruim pra mim” e “Preciso te amar”. E o cantor, ciente de que tinha o público como súdito, reinou soberano, jogou charme, interagiu com as quatro bailarinas e até tirou onda com o fato de recentemente ter sido criticado ao cantar o “Hino Nacional Brasileiro” com Alcione. “Vocês querem ouvir o hino?”, perguntou ao público para, logo depois, maroto, dizer que se referia ao “hino do pagode”, título que o cantor confere à música “Reinventar”. Felizmente, para mim, “Belo in concert” é show em que o cantor também dá voz a sucessos alheios, como um crooner. Como crooner, Belo incursionou bastante pelo universo do pop popular dos anos 1980, cantando hits de Fábio Jr. (“Quando gira o mundo” e “Caça e caçador”), Guilherme Arantes (“Um dia, um adeus”, balada ouvida em número minimalista, quase a capella, somente com alguns acordes de teclados), Ritchie (“Transas”) e Roupa Nova (“A viagem”), entre outros nomes. Rolou até “Explode coração”, um Gonzaguinha (1945 – 1991) consagrado por Maria Bethânia em 1978, quando Belo era apenas um menino de quatro anos na periferia da cidade de São Paulo (SP). Mas Belo sempre voltava para o próprio repertório. Porque o público queria mesmo é ouvir Belo cantando músicas de Belo e do Soweto. Após uma noite no reino de Belo, posso dizer que entendo o sucesso longevo do cantor. Belo tem estrela, tem voz, tem aquele indefinível algo mais e, no mais, como ele mesmo canta na frenética versão pagodeira de “Amor perfeito”, o que passou... passou... Belo canta sucessos de Fábio Jr. e Roupa Nova entre pagodes românticos do próprio repertório no show 'Belo in concert' Rodrigo Goffredo