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Parte dos materiais apreendidos na operação Polícia Civil/Montagem g1 Uma investigação de uma tentativa de homicídio ajudou a identificar uma organizaçã
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Por trás das apreensões: para onde vão as armas, munições e drogas retiradas das ruas no RJ O destino de armas, munições e toneladas de drogas apreendida...
Por trás das apreensões: para onde vão as armas, munições e drogas retiradas das ruas no RJ O destino de armas, munições e toneladas de drogas apreendidas todos os anos no Rio de Janeiro passa por uma série de etapas que envolvem perícias, decisões judiciais e protocolos rígidos de segurança. Alguns dos locais por onde esse material circula são tão restritos e que raramente recebem visitantes. O RJ1 teve acesso a estruturas responsáveis por armazenar e destruir materiais apreendidos pelas forças de segurança. Para as drogas apreendidas no estado, o caminho costuma ser um só: a destruição. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Em Volta Redonda, no Sul Fluminense, funciona o maior forno utilizado para incineração de entorpecentes do Rio. A estrutura fica dentro da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a cerca de 140 quilômetros da capital, e recebe cargas encaminhadas pelas polícias Civil, Federal e Rodoviária Federal. Antes da destruição, o material passa por análise pericial. Depois, a Justiça autoriza a incineração. O processo ocorre em um equipamento conhecido como “carro torpedo”, normalmente usado para transportar matéria-prima na fabricação de aço. Mesmo vazio, o interior do compartimento ultrapassa os 1.500 graus Celsius. Equipamento da CSN utilizado na destruição de drogas apreendidas Reprodução/TV Globo Por questões de segurança, as incinerações são mantidas sob sigilo. Nem mesmo funcionários da siderúrgica sabem quando as cargas chegam à usina. Segundo a empresa, nada fica armazenado no local. O material é levado até a estrutura e lançado na abertura do equipamento por uma máquina. A fumaça gerada é captada por um sistema de exaustão, filtrada e liberada posteriormente. Nos últimos cinco anos, a CSN recebeu 49 carregamentos de drogas apreendidas e destruiu cerca de 80 toneladas de entorpecentes. Depósitos de alta segurança guardam milhares de armas As armas apreendidas seguem um caminho diferente. O RJ1 também teve acesso a um depósito da Polícia Federal no Rio de Janeiro. O local, monitorado 24 horas por dia, guarda armamentos recolhidos em operações e investigações. Depósito da Polícia Federal guarda armas e munições apreendidas em operações Reprodução/TV Globo Entre os itens armazenados estão fuzis, carabinas, pistolas, revólveres e munições. Algumas armas possuem acessórios como miras de precisão. Há ainda caixas lacradas com armamentos novos. Segundo a Polícia Federal, são pelo menos 2.400 volumes contendo armas e munições, todos catalogados e identificados com informações dos respectivos inquéritos. O destino desse material é definido pela Justiça após a conclusão das investigações. A maior parte das armas apreendidas acaba destruída pelo Exército. Desde o fim de 2016, porém, a legislação permite que armamentos sejam incorporados às forças de segurança, desde que haja autorização judicial e o cumprimento das exigências administrativas. “Muitas armas sofisticadas são apreendidas. O Ministério Público dá o de acordo e nós determinamos a inserção dessas armas no Estado, desde que sejam seguidas algumas burocracias administrativas junto ao Exército Brasileiro”, afirmou o juiz Alexandre Abrahão, da 3ª Vara Criminal da Capital, especializada no julgamento de organizações criminosas. Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), quase 2.300 armas foram apreendidas no estado desde o início deste ano. Armas, munições e drogas apreendidas seguem protocolos específicos de armazenamento e destruição Reprodução/TV Globo Na Polícia Civil, todas passam por perícia. O objetivo é identificar características que possam auxiliar investigações e avaliar a qualidade dos armamentos. “Quando essas armas são apreendidas, elas são trazidas para a coordenadoria, que faz um relatório com base no modelo, no tipo de arma e no calibre. Quando verificamos que a arma tem qualidade excepcional, representamos judicialmente pela destinação desse armamento para utilização pelos nossos policiais”, explicou o delegado Vinícius Domingos, da Coordenadoria de Fiscalização de Armas e Explosivos. Munições consideradas adequadas também podem ser utilizadas em treinamentos realizados nas academias da corporação. A Polícia Civil não informou quantas armas apreendidas foram incorporadas ao uso dos agentes. Especialistas cobram transparência Para especialistas em segurança pública, o controle sobre armas, munições e drogas apreendidas precisa ser acompanhado por mecanismos de transparência para reduzir riscos de desvios. O consultor sênior do Instituto Sou da Paz, Bruno Langeani, afirma que é necessário monitorar toda a cadeia de custódia dos materiais. Consultor do Instituto Sou da Paz, Bruno Langeani avalia que a falta de transparência pode aumentar riscos de desvios Reprodução/TV Globo “A gente está falando de bens apreendidos que precisam ter controle total da cadeia de custódia, desde a entrada na delegacia até os depósitos. Além disso, é preciso que as polícias tenham um inventário muito preciso do que está em seu poder, especialmente porque armas, munições e drogas têm grande valor para o crime”, disse. O conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Roberto Uchôa, também defende a divulgação de informações sobre o controle desses materiais. “Isso não é um problema administrativo. É um problema de segurança pública. Essa transparência e essa prestação de contas são necessárias e devem ser cobradas pelos órgãos públicos”, afirmou. Até a última atualização dessa reportagem, a Polícia Civil não respondeu sobre a quantidade de armas apreendidas que atualmente são utilizadas por policiais da corporação e um posicionamento sobre as críticas dos especialistas em relação à falta de transparência dos dados. 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop.